Ler o seu certificado de previdência, linha a linha.
O certificado anual enviado pela sua caixa de pensão contém todas as informações essenciais sobre o seu 2.º pilar. Resta saber onde olhar.
Em cada início de ano, a sua caixa de pensão envia-lhe um documento que resume a sua situação: é o certificado de previdência. Tem duas a quatro páginas, contém uma dezena de números, e a maioria dos segurados arruma-o sem o ler. É pena: é a fonte de informação sobre o seu 2.º pilar.
As 8 secções de um certificado-tipo
Cada caixa tem o seu próprio layout, mas o conteúdo é padronizado. Eis as secções que encontrará com certeza.
1. Os seus dados pessoais
Apelido, nome próprio, data de nascimento, número AVS (o 756.xxxx.xxxx.xx), data de entrada na caixa, taxa de ocupação. Verifique sobretudo o número AVS — um erro aqui pode separar os seus fundos em dois dossiês paralelos, e é a fonte mais frequente de fundos «perdidos».
2. Salário declarado
Três linhas habituais: salário AVS (o seu salário bruto tal como declarado à AVS), dedução de coordenaç ão (CHF 26 460 em 2025), e salário coordenado (a diferença, plafonada). É esse salário coordenado que serve de base para o cálculo das contribuições.
3. Contribuições
As suas contribuições anuais estão decompostas:
- Bonificações de velhice («Sparbeiträge»), que alimentam os seus fundos de reforma. A percentagem depende da sua idade, fixada por lei.
- Contribuições de risco (falecimento e invalidez). Frequentemente 1 a 2 % do salário coordenado.
- Custos de administração. Variáveis consoante a caixa, geralmente 0,3 a 0,8 % do saldo.
- Contribuições especiais eventuais: participação num fundo de garantia, medidas especiais, resgates escalonados.
| Escalão etário | Bonificação anual (% do salário coordenado) |
|---|---|
| 25 – 34 anos | 7 % |
| 35 – 44 anos | 10 % |
| 45 – 54 anos | 15 % |
| 55 – 65 anos | 18 % |
Estas taxas são mínimos. Muitas caixas, sobretudo nas convenções-quadro, oferecem taxas mais elevadas (por exemplo 11 % desde os 25 anos, 18 % desde os 45 anos). É um dos elementos que distinguem uma boa caixa de uma mediana.
4. Fundos de velhice a 31 de dezembro
O número central. É o que acumulou na sua conta LPP no fim do ano transato. Frequentemente decomposto em:
- Fundos de velhice segundo LPP (a parte obrigatória — veja o nosso artigo obrigatório vs sobreobrigatório)
- Fundos sobreobrigatórios (o resto)
- Fundos totais (soma dos dois)
Esta decomposição não é opcional: é essencial se um dia sair da Suíça, se divorciar, ou planear um levantamento. Se não aparecer, peça-a.
5. Prestação de livre passagem
Também chamada «prestação de saída». É o montante que partirá se deixar a sua entidade patronal amanhã de manhã — para uma nova caixa, uma fundação de livre passagem, ou como pagamento em numerário se a isso tiver direito.
Em geral, prestação de livre passagem = fundos de velhice a 31 de dezembro + juros corridos até à data de saída. Nas caixas em primazia das prestações (raras hoje em dia), aplica-se um cálculo mais complexo.
6. Prestações em caso de reforma
Uma projeção. Muitas vezes a várias idades (60, 62, 64, 65), frequentemente em duas versões: renda e capital.
- Renda projetada aos 65 anos = fundos de velhice projetados × taxa de conversão. A taxa de conversão legal é de 6,8 %, em curso de descida para 6,0 % no quadro da reforma LPP 21 (entrada em vigor progressiva).
- Capital projetado aos 65 anos = fundos de velhice projetados a essa idade.
A projeção assenta numa hipótese de salário constante até à reforma e na taxa de juro de projeção (frequentemente a taxa mínima LPP). Uma promoção futura não está no cálculo.
7. Prestações em caso de falecimento e invalidez
O que receberiam os seus próximos em caso de falecimento, ou o próprio em caso de invalidez total ou parcial. A observar em particular se:
- Tem um parceiro não casado (unido de facto) — verifique se a caixa cobre a renda de parceiro.
- Tem filhos — há frequentemente uma renda de orfandade, plafonada.
- É o único suporte financeiro de um cônjuge que não trabalha.
8. Possibilidades de resgate
Se a sua carreira começou tarde, ou se teve interrupções, pode ter uma lacuna previdenciária. O certificado indica o montante máximo de resgate possível. É um número importante: qualquer resgate é integralmente dedutível do rendimento tributável do ano da entrega.
Três verificações que ninguém faz (e que se deveria fazer)
1. O número AVS está correto?
O número AVS (756.xxxx.xxxx.xx) é o identificador universal. Um erro de digitação no momento da contratação pode fazer com que uma antiga entidade patronal tenha transferido os seus fundos para um número errado. O resultado: uma conta de livre passagem existe em seu nome mas não está vinculada a ninguém. Para verificar o seu, consulte a sua declaração fiscal ou contacte a sua caixa AVS.
2. A data de entrada na caixa está correta?
Se começou um emprego a 1 de fevereiro e a caixa indica 1 de março, perde um mês de contribuições. Em 30 anos, isso representa alguns milhares de francos.
3. O salário declarado reflete a sua situação atual?
Sobretudo após uma promoção, uma mudança de percentagem, um bónus tido em conta ou não. O salário declarado do certificado deve corresponder à sua situação a 1 de janeiro do ano.
- 01O certificado é um direito legal anual (LPP art. 86b). Peça-o se não o recebeu.
- 02Verifique em prioridade: número AVS, salário declarado, data de entrada, e a decomposição obrigatório/sobreobrigatório.
- 03A prestação de livre passagem é o verdadeiro número a observar se mudar de entidade patronal ou sair da Suíça.
- 04A renda projetada é uma estimativa a salário constante — não é uma promessa.
Para compreender a diferença entre os dois tipos de contas que pode tomar a sua prestação de livre passagem, leia o nosso comparativo conta vs apólice de livre passagem. E se suspeita de antigos fundos nunca transferidos, o guia da livre passagem detalha as vias de recurso.