Caixas, fundações, Central do 2.º pilar: quem faz o quê.
Três tipos de instituições gerem a previdência profissional suíça. Não têm o mesmo papel — e a confusão é o que faz perder os fundos.
O sistema suíço de previdência profissional assemelha-se a um arquipélago: 1 380 caixas de pensão ativas, ~340 fundações de livre passagem, e uma instituição supletiva central que serve de rede de segurança. Se não sabe quem se ocupa do quê, não sabe onde procurar quando um saldo desaparece.
Visão geral: três instituições, três papéis
| Instituição | Papel | Quando lá está |
|---|---|---|
| Caixa de pensão | Gere as suas contribuições LPP enquanto trabalha | É trabalhador(a) por conta de outrem na Suíça |
| Fundação de livre passagem | Guarda os seus fundos entre duas entidades patronais ou após uma partida | Muda de entidade patronal, faz uma pausa, ou sai da CH |
| Instituição supletiva (Central 2.º pilar) | Rede oficial para fundos órfãos | Ninguém mais recebeu os seus fundos após 2 anos |
1. A caixa de pensão — a sua vida ativa
É a instituição que recolhe as suas contribuições todos os meses enquanto está empregado. Três variantes correntes:
- Caixa de entidade patronal — própria de uma só empresa (tipicamente as grandes: UBS, Nestlé, CFF, Roche…). Muito organizada, mas inflexível: se mudar de entidade patronal, o dinheiro tem de sair.
- Caixa de ramo ou coletiva — abrange várias entidades patronais de um mesmo setor (Swisscanto, Profond, Vita Joint Foundation…). Muito difundida nas PME.
- Caixa de direito público — para os funcionários de um cantão, de um município, ou de estabelecimentos públicos (CPEG em Genebra, BVK em Zurique…).
Qualquer que seja o tipo, o princípio é o mesmo: enquanto trabalha junto da entidade patronal afiliada, é essa caixa que detém os seus fundos. Quando sai, tem 6 meses para transferir os seus fundos para a sua nova caixa. Se não tiver uma, transfere-os para uma fundação de livre passagem que lhe indicar.
2. A fundação de livre passagem — a antecâmara
Uma fundação de livre passagem é um organismo especializado cuja única atividade é guardar em espera os fundos LPP entre duas fases profissionais. Existem cerca de 340 na Suíça, quase todas ligadas a um banco ou a uma seguradora.
Três momentos em que os seus fundos lá aterram:
- Deixa um emprego sem ter outro nos 6 meses seguintes.
- Tira uma licença sabática ou uma longa pausa sem permanecer afiliado à sua antiga caixa.
- Sai da Suíça para a UE/AELE e a parte obrigatória do seu LPP deve permanecer na Suíça (detalhes aqui).
A fundação propõe tipicamente dois suportes: uma conta de livre passagem (poupança, taxa de juro) ou uma apólice (seguro com garantias suplementares). Comparamos as duas no nosso artigo conta vs apólice de livre passagem.
3. A instituição supletiva — a rede oficial
A instituição supletiva é única na Suíça. Oficialmente chamada Stiftung Auffangeinrichtung BVG (Fundação instituição supletiva LPP), tem sede em Zurique. Cumpre três funções:
- Afiliação forçada das entidades patronais que não encontraram caixa.
- Receção por defeito dos fundos órfãos quando um segurado não dá instruções no momento de deixar a sua entidade patronal.
- Serviço de pesquisa de fundos perdidos através da Central do 2.º pilar (sediada em Berna), um balcão centralizado que interroga todos os atores LPP na Suíça.
Segundo a Auffangeinrichtung BVG (relatório 2024), cerca de CHF 6 mil milhões dormem em ~950 000 contas sem contacto. Não é uma estatística marginal.
O percurso típico de um saldo
Sigamos um percurso fictício mas representativo:
- 2014: Camila começa no Banco Cantonal Vaudense. Contribuições pagas à Caixa de pensão da BCV.
- 2017: Camila muda-se para a Nestlé. Fundos transferidos para a Caixa de pensão Nestlé.
- 2020: Pausa de 18 meses para um projeto pessoal. Fundos transferidos para a fundação de livre passagem do Crédit Suisse por indicação da Camila.
- 2022: Recomeço na Roche. Camila esquece-se de pedir a transferência da fundação CS. A Caixa de pensão Roche abre uma nova conta apenas com as novas contribuições.
- 2025: Camila regressa a Portugal. A conta na fundação Roche é repartida: a parte obrigatória parte em livre passagem na Suíça, a parte sobreobrigatória é paga. Mas a conta CS de 2020 continua a dormir.
Três anos depois, em 2028, Camila descobrirá por acaso essa conta CS que tinha esquecido. É exatamente isso que a Central do 2.º pilar e as fundações permitem recuperar, desde que se vá interrogá-las a todas.
Como distingui-las nos seus documentos
Recebe uma carta de previdência? Para identificar quem é:
- Se a instituição tem um nome de empresa ou de ramo («Caixa de pensão X», «Pensionskasse Y», «Fundação coletiva Z»): é uma caixa de pensão. Está lá porque trabalha (ou trabalhou) nela.
- Se a instituição tem um nome de banco com «livre passagem» / «Freizügigkeit» no nome (ex: «UBS Freizügigkeit Stiftung», «Fundação de livre passagem da BCV»): é uma fundação de livre passagem. Tem aí fundos em espera.
- Se a instituição é a «Auffangeinrichtung BVG» ou a «Central do 2.º pilar»: é a instituição supletiva. Significa que os seus fundos foram lá colocados por defeito num dado momento — nunca é em si um mau sinal, mas é frequentemente o sinal de que houve uma etapa sem instruções da sua parte.
- 01Caixas de pensão = durante o emprego. Uma caixa por entidade patronal (ou grupo).
- 02Fundações de livre passagem = ~340 atores privados que guardam os fundos entre os empregos.
- 03Instituição supletiva (Central 2.º pilar) = rede oficial em Berna. Detém os fundos órfãos por defeito.
- 04Para recuperar todos os seus fundos, é preciso interrogar os três tipos de atores. A Central cobre uma parte, nunca a totalidade.
Para compreender como os seus fundos se depositam numa fundação, leia o nosso guia da livre passagem. Se quiser verificar a sua situação por si mesmo, o guia de leitura do certificado de previdência detalha linha por linha o que deve conter um documento de caixa.